O atendimento destinado aos autistas é tema de debate no Bettina

"Desafios do diagnóstico e do tratamento das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)" foi o tema da mesa-redonda abordado nesta sexta-feira, 6, das 10h às 12h, no auditório do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (UFPA)/Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Os realizadores foram a gerência de Atenção à Saúde do HUBFS, por meio da Unidade de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente (Uasca), e do Centro de Atendimento à Saúde da Mulher e da Criança (Casmuc).

O auditório da instituição de saúde ficou pequeno para atender uma plateia diversificada, formada por acadêmicos e representantes de organizações que militam pela causa do atendimento com qualidade aos autistas. Palestraram sobre o assunto: a geneticista da Uasca, Isabel Neves; o terapeuta da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) – Belém, Thiago da  Silva Dias; a neurologista da Uasca, Madacelina Texeira; e a professora da UFPA, a nutricionista Rosilene Reis.

A Associação de Mães e Amigos dos Autistas do Pará (Amaap) esteve presente, representada por Rose Mary Pieres, que, por ser mãe de um adolescente autista, fez um apelo aos gestores do Complexo e do Camusc para fortalecerem a discussão sobre a criação de uma rede de atendimento integral, da infância à vida adulta. "As nossas crianças estão crescendo e a partir da adolescência aumentam as dificuldades na rede para continuarem em acompanhamento", lamentou.

Discussão - O superintendente do Complexo, o médico e sociólogo Paulo Roberto Amori, participou do evento e revelou total apoio na luta pela garantia dos direitos da pessoa com TEA. Ele comentou que no Bettina discute-se a elaboração de um programa voltado para o atendimento integral do TEA, focado em aprimoramento do serviço. Ele garantiu que, enquanto gestor do Complexo, não medirá esforços para dialogar com todos os setores da sociedade na perspectiva de fazer com que essa proposta seja concretizada. Disse estar certo que, com a parceria do Casmuc, onde funciona o Ambulatório do Autismo, e da Ebserh, é possível alavancar a assistência que é oferecida hoje às crianças da Uasca.

"O Pará e o Paraná estão à frente nesse tipo de atendimento e com o apoio da Ebserh e da UFPA temos certeza que poderemos avançar ainda mais. Concordo perfeitamente com a 'mãezinha' (Rose Mary), porque as nossas crianças estão crescendo e precisam continuar sendo atendidas também quando adultas", enfatizou.

A coordenadora do Casmuc, a pediatra Laélia Brasil, entende que a iniciativa do Bettina, em discutir a criação de um programa em rede para os autistas será um alento para os profissionais que atuam junto aos autistas e para seus familiares. "Então, esses momentos de discussão me deixa feliz, porque a universidade é única e graças a Deus temos profissionais comprometidos nos nossos hospitais e contamos com um reitor, o Emmanuel Tourinho, que é psicólogo e tem toda uma característica de nos apoiar, o que é muito importante".

Referência - A Uasca é referência estadual no diagnóstico de doenças raras no atendimento de alterações de desenvolvimento e comportamento em Belém, entre elas, o autismo. O espaço, iniciado com o nome de "Serviço de Desenvolvimento e Crescimento – Caminhar", completa em 2018, 16 anos de funcionamento e computa cerca de seis mil indivíduos diagnosticados com doenças raras, entre elas, síndromes de Williams, de Marfan e Mucopolissacaridose, e com alterações de desenvolvimento.

A geneticista Isabel Neves informa que 90% das crianças que chegam ao Bettina com alterações de desenvolvimento são diagnosticadas com autismo, "ou seja, para cada dez crianças que chegam no espaço, nove são identificadas com o problema".

Até 2013, o Ambulatório de Autismo esteve vinculado ao HUBFS e, desde então, está sob a Faculdade de Medicina da UFPA, desenvolvido no Centro de Atendimento à Saúde da Mulher e da Criança (Casmuc), prédio anexo ao HUBFS. Nele, são atendidos em torno de 800 crianças e adolescentes, os quais, de acordo com a necessidade, são acompanhados também no Bettina Ferro, onde recebem avaliação profissional da terapia ocupacional.

Sessão - Belém vive um mês inteiro em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 2 de abril. Como parte da programação, a Câmara Municipal de Belém (CMB) realizou na quinta-feira, 5, a sessão especial para apresentar os avanços no atendimento dessa parcela da população belenense, onde estiveram presentes várias organizações que lutam pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência.

Por ser referência no diagnóstico e tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo, o Bettina Ferro foi convidado para o debate. Representaram a instituição hospitalar: a gerente interina de Atenção à Saúde da instituição hospitalar, Ana Brito; a assessora da Superintendência do Complexo Hospitalar da UFPA/Ebserh, Graça Soutelo; a professora da UFPA, Rose Reis; e a pediatra do Centro de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança (Casmuc), Carla Magalhães.

A presidente da Associação de Mães e Amigos dos Autistas do Pará (Amaap), Jeronice Coutinho, informa que a "luta pela causa do autismo não é fácil, mas que, apesar de as dificuldades serem muitas, percebe-se a cada ano um engajamento maior da população". Ela comentou que entre os desafios estão: a criação de mais espaços para o diagnóstico precoce e tratamento multiprofissional, com o objetivo de promover o desenvolvimento com qualidade de vida aos meninos e meninas autistas.

"Nós temos outros espaços para receber as nossas crianças, mas o Bettina ainda é a única referência no Estado que garante uma equipe multiprofissional mais próxima do que seria ideal. Só que precisamos de muitos Bettinas para o autista chegar a uma vida de qualidade", enfatizou.

Sobre a Ebserh - Desde outubro de 2015, o Complexo Hospitalar da UFPA é filiado à Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação, que administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.
 

Texto: Edna Nunes – Ascom Complexo Hospitalar da UFPA/Ebserh.